O Valor do Marketing de Uma Capa de Livro Profissional
Ao divulgar um livro, o design da capa é uma das suas melhores ferramentas de vendas. Ela é a cara do seu projeto e o primeiro contato do leitor com a obra. Uma capa bem produzida pode transmitir profissionalismo e aumentar consideravelmente as chances de conversão em cliques e vendas. Mas se os autores sabem disso, por que tantos ainda criam suas próprias capas? Na maioria das vezes, a resposta está nos recursos disponíveis. Capas de livros com design profissional custam dinheiro, mas a questão central é: esse investimento realmente gera retorno em vendas? Para responder a isso, autores independentes têm realizado experimentos práticos. A proposta é simples: comparar o…
Resenha: Quarto Aberto de Tobias Carvalho
Tobias Carvalho é um escritor brasileiro da nova geração, reconhecido pela sua habilidade em retratar as experiências e dilemas da juventude contemporânea. Com olhar atento e linguagem acessível, suas obras transitam entre relações afetivas, sexualidade, festas, descobertas e conflitos de identidade. Quarto Aberto insere-se nesse universo, oferecendo um retrato de personagens jovens em busca de pertencimento, prazer e sentido, explorando as nuances do cotidiano de forma direta e íntima. Sinopse Relacionamentos abertos, aplicativos de paquera, exposição nas redes para os jovens de vinte e poucos anos, as opções de encontros amorosos e sexuais se multiplicam ao infinito, e Tobias Carvalho registra com primor literário essa revolução cotidiana. Narrado por Artur,…
Por que os editores de hoje temem mais o Goodreads do que o governo
A reação negativa nas redes sociais e o bombardeio de resenhas estão cada vez mais levando a atrasos, revisões ou cancelamentos de livros antes do lançamento. Isso criou uma cultura de autocensura, na qual até mesmo autores progressistas estão sendo silenciados pela pressão pública. Embora enraizado em boas intenções de promover diversidade e sensibilidade, o movimento evoluiu para um pânico moral que ameaça a liberdade de expressão e sufoca a criatividade. Em That Book Is Dangerous (Esse Livro é Perigoso), o autor Adam Szetela examina a ascensão da “Era da Sensibilidade” no mercado editorial e como campanhas de indignação tentam controlar quais livros os autores podem escrever e os leitores…
Resenha: Correr com rinocerontes de Cristiano Baldi
Cristiano Baldi é escritor e jornalista brasileiro, autor de romances e contos que transitam entre o cotidiano urbano, a imaginação e a experimentação narrativa. Sua escrita explora personagens em busca de sentido em meio ao caos e às contradições do mundo contemporâneo. Em Correr com rinocerontes, Baldi entrega uma história que aposta na velocidade e na mudança constante de perspectiva. Sinopse Diante de algumas tragédias, só é possível calar. Um jovem cresce à sombra de um terrível acidente que marcou sua adolescência. No início da vida adulta, ele precisa sair de São Paulo e voltar a Porto Alegre para enfrentar as pontas soltas do passado. Inteligente, culto, filho e neto…
Um Século de Fantasia: como o gênero mudou desde a década de 1920
A palavra inglesa fantasy (fantasia) surgiu do francês antigo phantasie, que significa “visão, imaginação”. Mas você não estaria totalmente errado se pensasse que ela veio da palavra “fantástico”. Quando pensamos em tudo o que existe de extraordinário no mundo real e em nossa imaginação, fica evidente o motivo de haver tantos subgêneros diferentes na fantasia, cada um com leitores apaixonados por suas particularidades. Ao longo do último século, o gênero passou por mudanças significativas. Nesta análise, vamos percorrer algumas das transformações mais marcantes, com foco no cenário anglófono, embora a fantasia seja um fenômeno mundial que remonta a tradições como a mitologia indiana de 1500 a.C. Até a década de…
Resenha: Cupim de Layla Martínez
Layla Martínez é uma escritora espanhola que vem conquistando leitores por sua originalidade e pelo modo como alia terror psicológico, crítica social e experimentação narrativa. Em Cupim, ela nos conduz a um espaço sombrio e perturbador, onde a casa deixa de ser apenas cenário e se transforma em personagem viva, carregada de segredos e tensões. Sua escrita não somente provoca medo, mas também nos convida a refletir sobre os horrores sociais e íntimos que atravessam o cotidiano. Sinopse Sucesso de vendas na Espanha e fenômeno literário, Cupim é um romance de terror feminista, duro, poético e visceral, carregado de rezas, maldições, anjos e santos. Layla Martínez cria uma narrativa poderosa em que…
Resenha: O que é meu de José Henrique Bortoluci
José Henrique Bortoluci é sociólogo, escritor e professor brasileiro, com formação acadêmica marcada pela análise das estruturas sociais, da história recente do Brasil e das dinâmicas que atravessam a vida das pessoas comuns. Sua escrita costuma transitar entre o rigor da pesquisa acadêmica e a sensibilidade literária, sempre buscando traduzir em palavras as tensões entre vida pessoal e coletividade. Em O que é meu, ele mescla sua experiência íntima com o olhar analítico do pesquisador, criando um texto híbrido e intenso. Sinopse Neste ensaio biográfico de rara sensibilidade, que já teve os direitos vendidos para dez editoras estrangeiras, o sociólogo e professor José Henrique Bortoluci parte de entrevistas realizadas com…
Como Formatar um Manuscrito de Livro Infantil
Escrever um livro infantil é somente a primeira parte da jornada. Se você pretende enviá-lo a agentes literários ou editoras tradicionais, ou mesmo se deseja se autopublicar com profissionalismo, precisa apresentar um manuscrito formatado corretamente. Essa etapa, muitas vezes negligenciada por escritores iniciantes, é fundamental para mostrar seriedade e facilitar a leitura do avaliador. A formatação de um manuscrito não tem nada a ver com o design final do livro. Livros ilustrados publicados podem ter fontes criativas, letras coloridas ou composições ousadas, mas isso é trabalho de design gráfico, feito somente depois que a obra já foi aceita. O manuscrito deve ser simples, limpo e claro — sua função é…
A Prosa que a Academia Não Vê: por que obras populares têm o direito de ser chamadas de literatura
O mundo dos livros vive de polêmicas, mas poucas tocam em uma ferida tão profunda quanto a do que, afinal, merece ser chamado de “literatura de verdade”. Recentemente, a fala da professora Aurora Bernardini, de que autores aclamados como Annie Ernaux, Elena Ferrante e Itamar Vieira Junior produzem obras “interessantes, mas não literatura”, reacendeu o debate. Sua crítica se concentra na forma e no estilo, sugerindo que a escrita desses autores, por ser mais acessível ou direta, carece da complexidade artística necessária para ascender ao panteão da “alta literatura”. No entanto, essa visão não somente limita o conceito de arte, mas ignora que a forma de uma obra não se…
O Que é Preciso Para Escrever um Livro Que se Torne um Filme
O conceito de arte como derivação não é novo. Hollywood adora fazer filmes baseados em livros de sucesso porque o público já está formado e a história já foi testada. Isso significa que há grandes chances de o filme conquistar fãs leais que já leram a obra e estão ansiosos para ver a adaptação na tela. Quatro das cinco franquias cinematográficas de maior bilheteria têm origem literária. Quarenta e sete dos oitenta e nove filmes vencedores do Oscar de Melhor Filme foram baseados em livros, novelas ou contos. Isso representa mais da metade! Mas nem todo bom livro é adaptado para o cinema. Por quê? O segredo não está somente…
Book Proposal Para livros Ilustrados: exemplo e modelo
Se você deseja publicar um livro infantil pelo caminho tradicional, provavelmente vai precisar escrever uma carta de apresentação — o que no mercado internacional é chamado de query letter. Esse documento é curto e objetivo, e possibilita despertar o interesse de um agente ou editor pelo seu projeto. Diferente da proposta de livro (book proposal), a qual é mais comum em obras de não ficção e pode chegar a dezenas de páginas, a carta de apresentação deve ser direta: poucas linhas capazes de mostrar a força da sua história e do seu perfil como autor. A seguir, apresento os elementos essenciais de uma boa carta de apresentação para livros ilustrados.…
Review – O Mau Selvagem de Álvaro Filho
Álvaro Filho constrói em O Mau Selvagem, publicado pela editora Urutau, um romance ousado, bem escrito e provocador, que não teme cutucar sensibilidades históricas e sociais. Publicado em Portugal, o livro naturalmente incomoda certos setores conservadores – aqueles mesmos que ainda carregam a nostalgia colonial e o impulso de “catequizar” os estrangeiros como se fossem seres a corrigir. Não surpreende que boa parte das críticas mais ácidas venha de um grupo muito específico: portugueses de extrema-direita, homens e mulheres privilegiados, loiros de olhos claros, que exigem ser servidos numa tasca aos gritos de “Oh menina, vem cá agora!”. Pisam nos seus e pisam com mais força nos estrangeiros. Mas o…













































