
Se Você Gosta de Narrativas Intensas Como o Filme Redemoinho, Frágil como Origami é uma boa aposta.
O filme Redemoinho é uma adaptação do conto Os Amigos, parte do livro Inferno Provisório, de Luiz Ruffato.
Redemoinho narra o reencontro entre Luzimar e Gildo, amigos de infância, anos depois de o segundo ter migrado para São Paulo. Durante esse breve encontro, os dois revisitarem suas trajetórias de vida, contrapondo as decisões de quem permaneceu onde nasceu com as de quem partiu em busca da cidade grande.
Qual a relação entre Redemoinho e Frágil Como Origami?
Em Frágil Como Origami, meu novo romance, dois amigos também se reencontram após um deles ter deixado a cidade. Mas se Gildo escolhe São Paulo como refúgio, no meu livro Hena faz de tudo para fugir da metrópole. Ainda assim, é justamente a cidade grande que o obriga a revisitar fantasmas antigos, quando retorna para o velório do pai do melhor amigo.
O reencontro entre eles levanta questões que nunca foram ditas, outras que foram ditas demais. A tensão que se acumula nas entrelinhas, nas memórias, no que poderia ter sido, é o que move boa parte da narrativa.

Alguns temas se entrelaçam naturalmente entre Redemoinho e Frágil Como Origami:
- A masculinidade hegemônica, sempre em crise silenciosa
- O contraste entre progresso e miséria na cidade de São Paulo
- O som urbano incômodo que invade o silêncio interno de Hena
- As frivolidades de entes queridos e amigos, que fingem escutar mas não ouvem
- A força destrutiva e inevitável das lembranças, como o próprio nome do filme sugere
O enredo do livro é como um movimento espiralado e crescente. Tudo se forma ao redor de Hena — os pensamentos, as memórias, os afetos não resolvidos. São sentimentos que surgem como furacão e que ameaçam desmoronar sua frágil estrutura interna, refletida já no título da obra.
Um livro sobre alguém que já perdeu a esperança na humanidade
As semelhanças com o filme param quando um novo elemento entra em cena: o romance.
Entre o luto, a solidão, a perda da identidade e a reconciliação com a própria sexualidade, Hena vai se abrindo lentamente, quase como papel dobrado, até revelar o que ainda resta de si. Um amor possível, terno, contido — mas que cresce aos poucos, como acontece nos bons slowburns.
Frágil Como Origami é um romance sobre redescobertas tardias, laços quebrados, afetos não nomeados e as dores que nos acompanham mesmo quando fingimos tê-las superado.
Em meio a um dever moral, um lugar provisório para dormir e uma cidade para explorar, Hena vai se desfazendo para se remontar. Talvez com mais dobras do que antes, talvez mais sensível do que gostaria, mas certamente mais honesto.
Terá ele aprendido alguma lição ao final? Ou terá apenas confirmado suas certezas — por mais viscerais que possam parecer?
Nota:
5/5 | 🌟🌟🌟🌟🌟

Sinopse do filme: “No interior de Minas Gerais, na cidade de Cataguases, dois amigos se reencontram após muito tempo afastados. Em dia de Véspera de Natal, os dois se encontram para conversar e beber, mas esse reencontro gera em Luzimar e Gildo a oportunidade de reavaliar seus caminhos e de falar sobre suas lembranças, seus remorsos e suas alegrias.”


