o que e preciso para escrever um livro que se torne um filme
Carreira Literária

O Que é Preciso Para Escrever um Livro Que se Torne um Filme

O conceito de arte como derivação não é novo. Hollywood adora fazer filmes baseados em livros de sucesso porque o público já está formado e a história já foi testada. Isso significa que há grandes chances de o filme conquistar fãs leais que já leram a obra e estão ansiosos para ver a adaptação na tela.

Quatro das cinco franquias cinematográficas de maior bilheteria têm origem literária. Quarenta e sete dos oitenta e nove filmes vencedores do Oscar de Melhor Filme foram baseados em livros, novelas ou contos. Isso representa mais da metade!

Mas nem todo bom livro é adaptado para o cinema. Por quê?

O segredo não está somente nas personalidades ou nos temas de destaque que compõem a narrativa, mas em como autor ou autora harmonizam enredo, personagens e cenário. É a qualidade da escrita, o equilíbrio entre esses elementos e a força da narrativa que transformam um livro em candidato natural a virar filme.

Você deve estar se perguntando: existe uma fórmula para que sua história seja notada por Hollywood?

A resposta é simples. Para que um livro se torne um filme, ele precisa ser uma boa história e bem contada.

Quer entender melhor como isso funciona? Aqui estão cinco passos que podem ajudar você a escrever um livro que tem potencial para ser adaptado para o cinema.

Etapa 1: Escreva um enredo condutor com um arco narrativo sólido

Os eventos que compõem a história formam o enredo, enquanto o arco narrativo é a ordem em que esses eventos são apresentados. Ambos precisam andar juntos.

Crie um arco narrativo forte e consistente. Cada enredo, incluindo os subenredos, deve ter início, meio e fim claros. Não se preocupe em ter muitos subenredos, pois mais não significa melhor. Mantenha o ritmo equilibrado, para que a história não pareça apressada ou arrastada.

Etapa 2: Desenvolva personagens dinâmicos, tridimensionais e envolventes

Personagens tridimensionais são aqueles que crescem, mudam ou revelam novas camadas ao longo da narrativa. São mais atraentes justamente por serem humanos, imperfeitos e próximos de nós.

O público se conecta emocionalmente com personagens que têm características identificáveis. Isso vale tanto para ficção quanto para não ficção. Mesmo figuras reais que parecem desinteressantes podem ganhar força narrativa se suas características humanas forem bem exploradas.

É importante lembrar que simpático não é sinônimo de agradável. O leitor não precisa admirar seus personagens, mas precisa se importar com eles.

Etapa 3: Crie um cenário visceral

O cenário é tão importante quanto enredo e personagens. Ele não deve ser tratado apenas como pano de fundo, mas sim como parte integral da narrativa.

Histórias como Harry Potter não seriam as mesmas se ocorressem em outro tempo ou lugar. Da mesma forma, 1984, de George Orwell, é um exemplo de cenário que funciona quase como um protagonista, moldando a trajetória do personagem.

Ao escrever, pense no cenário como mais um elemento ativo, capaz de transmitir atmosfera, tensão e identidade.

Etapa 4: Mostre, não conte

Livros que “mostram” em vez de “contar” são mais facilmente adaptáveis ao cinema porque a narrativa se aproxima da linguagem visual.

Compare:

Contar: John esperou por June no restaurante. Quando ela entrou, ele notou que ela era alta e parecia fria.

Mostrar: John observou June abaixar a cabeça coberta de neve para passar pela porta. Suas bochechas estavam vermelhas e suas mãos cerradas em punhos congelados.

A segunda versão permite que o leitor veja a cena. Ao usar descrições sensoriais, o autor cria experiências que podem ser traduzidas para a tela de forma natural.

Claro, contar também é permitido. A escrita é arte, e não existem regras fixas. Mas quanto mais você explorar os sentidos e a imersão visual, mais próxima sua obra estará de uma narrativa cinematográfica.

Etapa 5: Não escreva um roteiro disfarçado de livro

Se você quer escrever um livro, escreva um livro. Se o objetivo é ver sua história diretamente no cinema, escreva um roteiro. Embora ambos contem histórias, cada formato tem sua própria lógica.

Para decidir, faça algumas perguntas a si:

Minha história pode ser contada em até duas horas? Se sim, talvez seja um roteiro.
Minha narrativa depende muito de diálogos internos e reflexões? Se sim, o livro é mais adequado.
Estou disposto a ver minha história transformada por outro processo criativo? Se sim, pode ser o roteiro.

O essencial é seguir sua intuição e entender o que a sua história solicita.

No fim das contas, não existe um caminho único. O mais importante é escrever sobre o que você conhece e aproveitar o processo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.