
Resenha: Karen de Ana Teresa Pereira
Ana Teresa Pereira é escritora portuguesa, conhecida por sua obra literária marcada pelo mistério, pela atmosfera enigmática e pelo diálogo com referências da literatura policial e psicológica. Sua prosa é concisa, sugestiva e muitas vezes aposta mais na construção de ambientes e tensões do que em narrativas lineares ou desfechos tradicionais. Ao longo da carreira, construiu uma obra que fascina justamente por esse caráter ambíguo e inquietante.
Sinopse

Romance português vencedor do Prêmio Oceanos 2017. Uma engenhosa trama sobre personalidade, memória e casamento de uma das mais notáveis escritoras portuguesas contemporâneas.
Uma mulher prestes a fazer 25 anos acorda numa cama que não reconhece, numa casa que não lhe parece íntima, entre pessoas que a “conhecem” mas afirmam entender sua confusão momentânea. Chama-se – ou pelo menos é como a chamam – Karen. Ela é casada com um escritor de família arruinada, está com alguns ferimentos porque, assim lhe dizem, arriscou-se para o outro lado escorregadio e pedregoso de uma cascata. Seu presente, assim com o próprio passado, parecem fruto de uma alucinação.
Minha avaliação
A escrita de Ana Teresa Pereira não é ruim — pelo contrário, há fluidez e certa habilidade na forma como apresenta a atmosfera da história. O enredo parte de uma premissa instigante: uma pintora desperta em uma casa desconhecida, cercada por pessoas que ela nunca viu antes, mas que a chamam de Karen. Acompanhamos sua tentativa de entender quem são aquelas pessoas, o que está fazendo ali e, sobretudo, quem é Karen.
A proposta é boa e cria expectativa no leitor. No entanto, a execução não sustenta o que a ideia inicial sugere. As perguntas surgem, começam a ser exploradas, mas nunca chegam a respostas ou a um desfecho claro. O resultado é uma narrativa vaga, que parece sempre prometer mais do que entrega.
A impressão final é que a autora buscava provocar uma reflexão existencial sobre identidade e autoconhecimento, com uma abordagem mais simbólica e subjetiva. Mas, ao menos para mim, essa intenção não foi bem executada. Faltou profundidade, ou mesmo um direcionamento mais sólido, para que a história tivesse real impacto.
Nota final
⭐ 2 de 5


