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6 séries de fantasia para fãs de The Dragonriders of Pern

Se você terminou The Dragonriders of Pern, de Anne McCaffrey, e está procurando outra série capaz de proporcionar uma experiência semelhante, talvez descubra que encontrar uma boa substituta não é tão simples quanto procurar histórias com dragões.

Os dragões são uma parte essencial do fascínio de Pern, mas não são o único motivo pelo qual a série conquistou tantos leitores. A relação entre humanos e dragões, o treinamento dos cavaleiros, a organização social construída ao redor dessas criaturas, a transmissão de conhecimentos entre gerações e a ameaça dos Fios criam uma combinação muito particular de fantasia, ficção científica e aventura.

Se o que você procura depois de Pern são dragões, vínculos entre humanos e criaturas extraordinárias, treinamento, magia e personagens que descobrem aos poucos o próprio lugar em um mundo muito maior, estas seis séries podem ser ótimas próximas leituras.

Ciclo A Herança, de Christopher Paolini

Se existe uma recomendação praticamente obrigatória para quem procura fantasia com dragões depois de Anne McCaffrey, é Ciclo A Herança, de Christopher Paolini.

A série começa com Eragon, quando o jovem protagonista encontra uma pedra azul durante uma caçada. O que parece inicialmente ser apenas uma descoberta valiosa logo se revela algo muito mais importante: a pedra é, na verdade, um ovo de dragão.

Quando Saphira nasce, a vida de Eragon muda completamente.

O jovem passa a estar ligado a uma criatura cuja existência possui uma importância muito maior do que poderia imaginar. Ao mesmo tempo, descobre que os Cavaleiros de Dragão, que durante muito tempo fizeram parte da história de seu mundo, foram praticamente destruídos.

Eragon então precisa aprender a lidar não apenas com Saphira, mas também com magia, combate, política e com o peso de uma tradição que parecia pertencer apenas ao passado.

Essa relação entre protagonista e dragão é justamente uma das características que tornam a série uma recomendação tão natural para leitores de Pern.

Saphira não funciona como um simples animal de montaria ou como uma arma que Eragon pode utilizar quando precisa enfrentar um inimigo. Ela possui personalidade, desejos, opiniões e uma relação própria com o protagonista. O vínculo entre os dois é uma parte fundamental da narrativa e evolui conforme ambos amadurecem.

Também existe uma estrutura de aprendizado que pode agradar bastante aos leitores de McCaffrey. Eragon começa praticamente sem conhecimento sobre o mundo que está entrando e precisa aprender progressivamente aquilo que significa ser um Cavaleiro de Dragão.

No Brasil, a série foi publicada pela Rocco com os títulos Eragon, Eldest, Brisingr e Herança.

A principal diferença em relação a Pern está no tipo de mundo construído por Paolini. Enquanto McCaffrey mistura elementos de ficção científica com fantasia, The Inheritance Cycle assume uma estrutura muito mais próxima da fantasia épica tradicional.

Ainda assim, para quem procura novamente a sensação de acompanhar um jovem que estabelece um vínculo extraordinário com um dragão e passa a fazer parte de uma história muito maior do que sua própria vida, é uma escolha quase inevitável.

A Espada de Shannara, de Terry Brooks

As Crônicas de Shannara, de Terry Brooks, segue um caminho bastante diferente, especialmente porque os dragões não são o centro da história.

A recomendação funciona por outro motivo: a sensação de descoberta, legado e transformação que acompanha o protagonista.

No primeiro livro, The Sword of Shannara, Shea Ohmsford vive uma existência relativamente tranquila em Shady Vale. Ele sabe pouco sobre as guerras antigas que transformaram seu mundo e não imagina que sua própria linhagem esteja relacionada a acontecimentos muito maiores.

Tudo muda quando ele descobre que o Senhor Feiticeiro, considerado morto há muito tempo, está planejando retornar.

Existe apenas uma arma capaz de enfrentá-lo: a Espada de Shannara. E somente o verdadeiro herdeiro de Shannara pode utilizá-la.

Shea, portanto, deixa de ser apenas um jovem que vive em uma região pacata e passa a carregar uma responsabilidade que não escolheu.

Essa estrutura pode ser particularmente interessante para leitores de Pern porque trabalha com uma ideia recorrente na fantasia de Anne McCaffrey: personagens que precisam compreender a dimensão de um legado que inicialmente não conseguem enxergar.

A série também utiliza uma estrutura de aventura épica bastante tradicional, com diferentes povos, guerras, magia e uma ameaça que cresce até alcançar proporções muito maiores do que os protagonistas poderiam prever.

Se aquilo que mais chamou sua atenção em The Dragonriders of Pern foi a sensação de entrar em um mundo antigo, descobrir seus segredos e acompanhar personagens que gradualmente encontram seu lugar nele, Terry Brooks pode ser uma excelente escolha.

Songs of Chaos, de Michael R. Miller

Entre todas as recomendações desta lista, Songs of Chaos, de Michael R. Miller, talvez seja a que apresenta a conexão mais evidente com a ideia de cavaleiros de dragão.

O protagonista do primeiro livro, Ascendant, é Holt Cook, um jovem que trabalha nas cozinhas da Ordem do Crag. Ele não foi preparado para ser um cavaleiro e não pertence à elite responsável por montar os lendários dragões.

Holt parece destinado a permanecer completamente afastado desse mundo.

Isso muda quando ele descobre um segredo perturbador sobre a forma como os dragões são tratados. Os filhotes considerados fracos ou defeituosos são mortos pelos próprios dragões adultos.

Holt não consegue simplesmente aceitar essa realidade.

Ele decide desafiar a ordem estabelecida, resgata um ovo e assume a responsabilidade de proteger a criatura que está prestes a nascer.

A partir desse momento, a relação entre Holt e o dragão se torna o centro da narrativa.

A premissa é particularmente atraente para quem gosta de histórias em que o vínculo entre humano e dragão não existe apenas para proporcionar cenas de ação. O relacionamento altera o destino dos personagens e cria responsabilidades que eles não teriam enfrentado de outra maneira.

O primeiro volume é Ascendant, e a série permanece com seus títulos originais neste artigo porque não identificamos uma edição brasileira traduzida. A Audible Brasil, por exemplo, disponibiliza Ascendant e identifica o idioma da obra como inglês.

Isso significa que leitores brasileiros interessados na série devem procurar as edições em inglês, em vez de utilizar traduções não oficiais dos títulos.

Para quem terminou Pern pensando que gostaria de encontrar outra fantasia centrada em cavaleiros e dragões, Songs of Chaos provavelmente é uma das opções mais próximas daquilo que você está procurando.

Rivenworld, de M. L. Spencer

Outra opção para quem gosta da estrutura de fantasia em que um personagem aparentemente insignificante descobre que possui uma importância muito maior é Rivenworld, de M. L. Spencer.

O primeiro livro, Dragon Mage, apresenta Aram Raythe, um jovem de uma pequena vila de pescadores que se vê como um estranho dentro da própria comunidade.

Aram deseja pouco além de encontrar amigos e ser aceito pelas pessoas ao seu redor. Ele não acredita possuir nada de especial e não imagina que tenha qualquer papel relevante nos acontecimentos que estão se aproximando.

O problema é que Aram está muito enganado sobre quem é.

Ele possui poderes capazes de colocá-lo em uma posição extraordinária diante das forças que governam seu mundo.

A história utiliza, portanto, uma estrutura bastante conhecida da fantasia: o personagem que começa sem compreender seu próprio potencial e precisa descobrir gradualmente o que existe por trás de sua identidade.

É uma fórmula que aparece em muitas histórias de fantasia, mas continua funcionando quando a transformação do personagem é bem construída.

Para leitores de Pern, a atração está menos em uma reprodução direta da relação entre cavaleiro e dragão e mais na experiência de acompanhar alguém que começa em uma posição aparentemente insignificante e descobre que existe um mundo muito maior escondido atrás da realidade que conhecia.

Dragon Mage permanece com o título original neste artigo, pois não identificamos uma edição brasileira oficialmente traduzida.

The Heralds of Valdemar, de Mercedes Lackey

The Heralds of Valdemar, de Mercedes Lackey, apresenta uma alternativa especialmente interessante para quem gosta da ideia de vínculos entre humanos e criaturas extraordinárias.

A série acompanha Talia, uma jovem que foge da vida que conhecia e acaba sendo escolhida por Rolan, um Companion, criatura semelhante a um cavalo dotada de poderes extraordinários.

Essa escolha altera completamente o destino de Talia.

Ela passa a ser treinada para se tornar uma Herald, integrante de uma elite ligada à proteção da rainha, e começa a descobrir habilidades mentais que seu Companion é capaz de perceber.

O vínculo entre Talia e Rolan é importante porque Rolan não existe apenas como um meio de transporte ou como uma criatura utilizada pela protagonista quando surge uma ameaça.

Ele participa da transformação da personagem.

Talia precisa aprender a compreender suas próprias capacidades, adaptar-se a uma sociedade que desconhecia e descobrir o significado da posição que lhe foi atribuída.

Essa dinâmica pode agradar bastante aos leitores de Anne McCaffrey. Em Pern, os dragões estabelecem vínculos extraordinários com os humanos e esses vínculos modificam a trajetória dos personagens. Em Valdemar, a relação entre Heralds e Companions assume uma função semelhante, embora dentro de uma estrutura mágica e política completamente diferente.

A série também oferece algo que pode ser particularmente interessante para quem gosta da dimensão social de Pern: o relacionamento entre pessoas e criaturas não existe isoladamente, mas está integrado à estrutura do próprio mundo.

Em vez de simplesmente colocar uma criatura mágica ao lado do protagonista, Mercedes Lackey constrói uma sociedade na qual esses vínculos possuem consequências políticas, culturais e pessoais.

Os títulos desta série também devem ser conferidos individualmente antes da publicação de uma lista brasileira, porque diferentes volumes tiveram diferentes situações editoriais no mercado nacional. Quando não houver uma edição brasileira identificável, é preferível manter o título original em inglês a inventar uma tradução.

Ciclo Terramar, de Ursula K. Le Guin

A última recomendação é também a que mais se distancia da estrutura tradicional de uma história de cavaleiros de dragão.

The Earthsea Cycle, de Ursula K. Le Guin, é uma escolha particularmente interessante para quem gosta dos dragões de Pern, mas também quer encontrar uma fantasia mais reflexiva.

A série começa com Ged, conhecido em sua juventude como Sparrowhawk, um garoto de grande talento mágico que possui uma ambição ainda maior.

Sua busca por conhecimento e poder acaba levando-o a cometer um erro grave: ao tentar dominar forças que ainda não compreende, ele libera uma sombra no mundo.

A partir daí, a trajetória de Ged passa a ser menos uma simples aventura de aquisição de poderes e mais uma história sobre responsabilidade, identidade, equilíbrio e as consequências das próprias escolhas.

Os dragões de Terramar também são muito diferentes daqueles encontrados em muitas fantasias contemporâneas.

Eles não são simplesmente criaturas enormes que podem ser domesticadas, montadas ou utilizadas em batalhas. Fazem parte da própria mitologia de Terramar e estão relacionados a questões profundas sobre linguagem, magia, conhecimento e natureza.

É justamente essa diferença que torna Le Guin uma recomendação interessante.

Se você gosta de Pern porque os dragões parecem realmente pertencer à história e não existir apenas para produzir cenas espetaculares, Terramar pode oferecer uma experiência ainda mais contemplativa.

A fantasia de Le Guin também exige mais do leitor. Em vez de explicar constantemente como seu mundo funciona, a autora frequentemente deixa que o leitor descubra suas regras, seus conflitos e suas implicações através da própria narrativa.

Para quem procura uma leitura capaz de ir além da aventura e refletir sobre poder, identidade e equilíbrio, The Earthsea Cycle é uma excelente escolha.

Qual dessas séries é mais parecida com The Dragonriders of Pern?

A resposta depende muito daquilo que você procura em Pern.

Se a principal atração são os dragões e a relação entre eles e os humanos, The Inheritance Cycle e Songs of Chaos são provavelmente as escolhas mais diretas.

Se você procura cavaleiros, treinamento e uma sociedade construída em torno de vínculos extraordinários, The Heralds of Valdemar pode ser uma alternativa interessante, ainda que a relação entre humanos e Companions seja muito diferente daquela existente em Pern.

Se o que você procura é a sensação de descoberta, legado e transformação de um personagem aparentemente comum, The Sword of Shannara Trilogy e Rivenworld oferecem experiências mais próximas desse aspecto.

E se aquilo que realmente fez Pern permanecer na sua memória foi a maneira como seus dragões fazem parte de um mundo maior, com sua própria história, cultura e mitologia, vale experimentar The Earthsea Cycle.

Nenhuma dessas séries é uma cópia de Anne McCaffrey, e isso é justamente o que torna a lista mais interessante. Procurar uma obra idêntica a Pern provavelmente terminaria em uma sucessão de histórias que repetem os mesmos elementos superficiais.

É mais produtivo identificar o que você realmente amava na série.

Talvez fossem os dragões. Talvez os vínculos entre cavaleiros e criaturas. Talvez o treinamento. Talvez a descoberta de um mundo antigo. Talvez a ameaça dos Fios e a forma como ela obrigava diferentes comunidades a cooperar para sobreviver.

Cada uma dessas séries recupera uma parte diferente dessa experiência.

Uma observação sobre o título de Pern no Brasil

Há uma diferença importante entre tradução para português e edição brasileira que vale a pena deixar clara.

The Dragonriders of Pern foi publicado em português como O Planeta dos Dragões pela editora Livros do Brasil, na Coleção Argonauta. O texto foi traduzido por Eurico da Fonseca e a publicação portuguesa dividiu o material originalmente formado por Dragonflight e Dragonquest em três volumes.

Registros brasileiros de sebos e catálogos também podem fazer essa edição aparecer em pesquisas no Brasil, o que não significa que tenha sido uma edição brasileira. O próprio histórico bibliográfico da Coleção Argonauta identifica a publicação como parte dessa coleção portuguesa.

Além disso, existem atualmente edições digitais em inglês disponíveis em lojas que operam no Brasil. A Kobo Brasil, por exemplo, oferece The Dragonriders of Pern e identifica expressamente o idioma como inglês.

O mesmo princípio foi aplicado aos demais livros da lista: quando não há evidência de uma tradução brasileira oficial, o título original deve permanecer em inglês, em vez de receber uma tradução literal apresentada como se fosse um título editorial brasileiro.

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