
Resenha: Quarto Aberto de Tobias Carvalho
Tobias Carvalho é um escritor brasileiro da nova geração, reconhecido pela sua habilidade em retratar as experiências e dilemas da juventude contemporânea. Com olhar atento e linguagem acessível, suas obras transitam entre relações afetivas, sexualidade, festas, descobertas e conflitos de identidade. Quarto Aberto insere-se nesse universo, oferecendo um retrato de personagens jovens em busca de pertencimento, prazer e sentido, explorando as nuances do cotidiano de forma direta e íntima.
Sinopse

Relacionamentos abertos, aplicativos de paquera, exposição nas redes para os jovens de vinte e poucos anos, as opções de encontros amorosos e sexuais se multiplicam ao infinito, e Tobias Carvalho registra com primor literário essa revolução cotidiana.
Narrado por Artur, um jovem gay introvertido que às noites vira uma drag queen exuberante, Quarto aberto conta a história de uma reviravolta pessoal inesperada. Quando Artur se reconecta com Eric, um garoto com quem se envolvera anos antes, este agora está em um relacionamento aberto com Antônio, jovem rico de beleza padrão com quem Artur começa a se relacionar. A vida estável do narrador passa a expor trincas e rachaduras quando Caíque, seu namorado, também entra na equação, transformando o triângulo amoroso em algo ainda mais complexo.
Tobias Carvalho retoma com maturidade suas investigações literárias sobre a homossexualidade masculina em tempos de aplicativos de sexo, tema de sua obra de estreia. Dotado de uma prosa seca que remete ao mesmo tempo ao estilo pop de Sally Rooney e aos diálogos elípticos de Raymond Carver, Quarto aberto mostra, sem moralismo, a complexidade dos relacionamentos de uma geração de vinte e poucos anos para a qual todas as opções se revelam disponíveis e sedutoras.
Minha avaliação
A leitura de Quarto Aberto começa de forma pouco envolvente. O enredo inicial se concentra excessivamente em festas, curtições e encontros, o que me deu a sensação de estar diante de uma narrativa vazia, sem grandes motivações. Entretanto, com o avanço da trama, alguns personagens passam a ganhar camadas mais interessantes, o que ajuda a sustentar o livro e a afastar a monotonia dos primeiros capítulos.
Por ser voltado claramente para um público jovem, não se deve esperar grandes transformações ou profundidade literária. Ainda assim, destaco a trajetória de Artur, o protagonista, cuja vida apresenta pontos de interesse, mesmo que sua personalidade se mantenha apagada em muitos momentos. Em contraste, Caíque, o namorado dele, é o personagem que mais se destaca. Sua maturidade em relação ao “rolê” funciona como âncora narrativa, trazendo consistência à história e tornando a leitura mais suportável e até envolvente em alguns momentos. Sem Caíque, confesso que teria abandonado o livro antes da metade.
Nota final
Quarto Aberto é uma leitura voltada ao público jovem, que pode encontrar nele um espelho de experiências e vivências. Para leitores que buscam maior densidade ou tramas mais complexas, pode soar superficial e cansativo. Ainda assim, é válido reconhecer o esforço de Tobias Carvalho em dar voz a esse recorte geracional. Para mim, a presença de Caíque foi essencial para manter o interesse até o fim.
Nota: 2,5 de 5


