
Afrofuturismo no Brasil: vozes e perspectivas que moldam o futuro negro
O afrofuturismo é um movimento cultural que combina a estética negra com elementos de ficção científica e tecnologia, projetando futuros protagonizados por pessoas negras. No Brasil, autores e artistas estão fortalecendo essa narrativa, explorando identidade, ancestralidade e possibilidades especulativas:
1. Ale Santos

Considerado a voz principal do afrofuturismo brasileiro, Ale Santos é autor de obras como O Último Ancestral (2021) e Rastros de Resistência (2019), ambas marcadas por alta tecnologia, espiritualidade afro-brasileira e crítica ao colonialismo (TV Cultura). Sua literatura aborda resistências sociais e recria imaginários negros em futuros eletrizantes, incorporando mitos brasileiros e narrativas periféricas (Quatro cinco um, Ale Santos @savagefiction). A mais recente edição de Rastros de Resistência e Literatura Afrofuturista foi relançada em maio de 2025 (Brasil de Fato).
2. Lu Ain‑Zaila

Pedagoga e escritora, Lu Ain‑Zaila é referência do afrofuturismo nacional. Sua duologia Brasil 2408 — composta por (In)Verdades (2016) e (R)Evolução (2017) — explora um Brasil futurista onde Ena luta contra corrupção e desigualdades em 2500. Também escreveu curtas histórias como Sankofia (2018) e Ìségún (2019), focadas em ancestralidade e resistência negra.
3. Sandra Menezes

Jornalista e finalista do Prêmio Jabuti, Sandra Menezes é autora de O céu entre mundos (2021), romance afrofuturista que mescla ficção científica, ancestralidade e tecnologia. O livro ganhou o prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2022.
4. Fábio Kabral

Autor de obras como O Caçador Cibernético da Rua 13, Kabral é reconhecido como uma das maiores referências do afrofuturismo nacional. Seu universo “Ketu 3” traz tecnologias movidas a fantasmas e arquiteturas governadas por orixás, unindo ancestralidade africana e inovação.
5. Zaika dos Santos

Embora seu trabalho transite entre arte, tecnologia e IA, Zaika promove o afrofuturismo em instalação multimídia, curadoria e pesquisa acadêmica. Foi pioneira ao cunhar o conceito de “Afrofuturalidades” e atua no Black Speculative Arts Movement, conectando arte, ciência, design e educação.
6. Jota Mombaça

Artista e escritora nordestina que atravessa gêneros como ficção visionária e estudos queer, usando elementos afrofuturistas para tratar de diáspora, justiça anticolonial e identidade queer negra.
7. Outros nomes e caminhos
- Kinaya Black, Raphael Silva, Wilson de Carvalho, Rodrigo Cândido, Will Braga, Waldson Souza e Helena Rocha colaboraram em Pensamentos Afrofuturistas, uma coletânea que explora a estética especulativa negra no Brasil.
- Conceição Evaristo e Abdias Nascimento, embora não se definam explicitamente como afrofuturistas, usam a ficção especulativa em ensaios que projetam futuros onde a igualdade racial é realidade.
Contextualização
- O movimento resgata narrativas tecnológicas, míticas e ancestrais africanas a partir de uma perspectiva brasileira, fortalecendo o protagonismo negro em futuros possíveis.
- Autores e artistas se consolidam em múltiplas terras: literatura (romance, contos), arte visual, performance e pesquisa acadêmica.
- Eventos literários, prêmios (Jabuti, Odisseia) e mídia especializada vêm ampliando a visibilidade dessas vozes.
O Brasil abriga um florescente cenário afrofuturista. Entre narrativas de Ale Santos e Lu Ain‑Zaila até a multidisciplinaridade de Zaika dos Santos e Jota Mombaça, o movimento progride, criando mitologias negras locais, acessíveis e visionárias. Autores como Sandra Menezes e Fábio Kabral consolidam esse discurso em obras premiadas, enquanto coletivos literários e pesquisadores ampliam o olhar.


