
Resenha: A Palavra que Resta de Stênio Gardel
Stênio Gardel é um escritor cearense que vem se destacando na literatura contemporânea brasileira, especialmente pela sensibilidade com que aborda questões de identidade, memória e afetos. A Palavra que Resta é seu romance de estreia, lançado com grande reconhecimento da crítica e do público. A obra revela a força de uma escrita que une lirismo e contundência, explorando a solidão, o preconceito e a busca pelo pertencimento em um país ainda marcado por desigualdades e exclusões.
Sinopse

Uma carta guardada por mais de cinquenta anos — e jamais lida. É essa a relíquia que Raimundo leva consigo. Homem analfabeto que na juventude teve um amor secreto brutalmente interrompido, ele resolve que ainda é tempo de aprender a ler e talvez decifrar essa ferida aberta do passado.
Minha avaliação
Se tivesse de resumir A Palavra que Resta sem entrar em spoilers, diria que é uma narrativa sobre autodescoberta, aceitação e a procura por um lugar para chamar de lar. O romance fala sobre solidão, preconceito e abandono em diversas formas, mas também sobre a possibilidade de resistir, se reinventar e criar novas oportunidades de vida e amor.
A leitura é envolvente, com ritmo ágil e emocionante, o que me levou a terminar o livro em apenas dois dias. Gardel constrói personagens que ressoam pela sua humanidade, frágeis e intensos, capazes de despertar empatia no leitor. Entretanto, a obra não é perfeita: apesar de manter uma narrativa pulsante, peca ao não entregar uma conclusão à altura. O final se mostra apressado e insatisfatório, destoando do ritmo bem construído até então.
Ainda assim, a força do livro não está apenas em como termina, mas na jornada que propõe. E nesse ponto, Gardel demonstra enorme talento para falar das dores e esperanças de quem busca, contra todas as dificuldades, o direito de existir plenamente.
Nota final
A Palavra que Resta é um romance marcante e de leitura rápida, capaz de emocionar e provocar reflexões profundas. Apesar de um final decepcionante, permanece como uma das leituras mais impactantes que tive recentemente.
Nota: 4 de 5


